ATER Digital, Inovação e Difusão Tecnológica Novos Paradigmas para a Extensão Rural
Luiz Diego Vidal Santos
Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Visão Geral
Tópicos Principais
1 Conceito de ATER
2 Freire: Extensão ou Comunicação?
3 Andragogia e Métodos Comunicacionais
4 ATER Digital e Inclusão Digital
5 Difusão Tecnológica como Empoderamento
Objetivo Central
Explorar os novos paradigmas da extensão rural, da ATER Digital à difusão tecnológica como instrumento de empoderamento e desenvolvimento sustentável.
O QUE É ATER?
Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER):
Processos cooperativos, baseados em princípios educacionais, que tem por finalidade levar aos adultos e jovens do meio rural informações sobre inovações na agricultura, pecuária e economia doméstica.
Propõe melhorias a partir de troca de saberes.
Lei 6.126/74: Estatizou o sistema brasileiro de extensão rural, instituindo a EMBRATER (Peixoto, 2008).
O PARADIGMA INICIAL
O paradigma inicial da ATER como ferramenta de comunicação não surgiu para beneficiar o pequeno produtor.
Muitas vezes transvestida de transferência tecnológica, a extensão servia como mera ferramenta negocial:
Atuação da AIA (Associação Americana para Desenvolvimento) e seus interesses empresariais
Abordagem “do topo para baixo” (Peixoto, 2008)
Paulo Freire (Comunicação ou Extensão, 1980):
O agrônomo deve transcender a ideia de “extensionista” como mero artefato de informações técnicas.
FREIRE: EXTENSÃO OU COMUNICAÇÃO?
Freire analisa o campo associativo do termo “extensão”:
Invasão cultural
Messianismo
Transmissão
Estes termos coisificam o homem do campo, transformando-o em mero receptor.
Proposta de Freire:
O agrônomo deve se posicionar como um “comunicador”, engajando-se em diálogo bidirecional e participativo com as comunidades rurais.
ANDRAGOGIA E MÉTODOS COMUNICACIONAIS
Teorias educacionais compatíveis com a nova extensão:
Paulo Freire - Extensão como comunicação
Jean Piaget - Educação crítica construtivista
José Libâneo - Crítica emancipatória
Malcolm S. Knowles - Andragogia
A andragogia valoriza a experiência prévia do adulto e incentiva o aprendizado autodirigido (Knowles, 1980).
PRINCÍPIOS DA ANDRAGOGIA
Princípio
Aplicação na ATER
Necessidade
Explorar interesses pessoais do produtor
Autonomia
Promover capacidade de autogestão
Experiência
A experiência do agricultor é fundamental
Motivação
Técnicos como agentes catalisadores
Orientação na realidade
Ações que caibam na realidade do produtor
Aplicabilidade
Proposta real - usar e propagar o conhecimento
PNATER E PRONATER
PNATER - Lei 12.188/2010:
Política voltada para a melhoria das condições de vida da população rural.
Princípios norteadores:
Inclusão social - igualdade no campo
Transição ecológica - práticas agroecológicas
Articulação ATER-pesquisa-ensino
Reconhecimento de diversidades (Lei 11.326/06)
Geração de renda - diversificação e agregação de valor
Atuação em redes - gestão participativa
ATER DIGITAL
O Programa ATER Digital insere-se na intersecção entre ATER e a revolução digital.
Ferramentas:
Sistemas de Informação Geográfica (SIG)
Plataformas de aprendizagem online
Hubs tecnológicos
Vantagens:
Algoritmos de aprendizagem de máquina para identificar lacunas no conhecimento
Abordagem mais focada e eficiente na transferência de tecnologia
Adaptação às peculiaridades dos agricultores familiares
INCLUSÃO DIGITAL DO CAMPO
O programa ATER Digital atua como catalisador de inclusão digital:
Fornece infraestrutura básica e educação digital para comunidades rurais
Frequentemente marginalizadas em relação ao acesso à tecnologia
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